quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Miomas


Os miomas ou, mais correctamente, fibroleiomiomas, são tumores benignos do útero com ponto de partida em células musculares; a sua transformação maligna é rara. Afectam uma proporção elevada de mulheres e constituem uma das mais frequentes indicações para histerectomia (remoção cirúrgica do útero). Os miomas podem ser subserosos (superfície exterior do órgão), intramurais (parede uterina) ou submucosos (afectam a cavidade endometrial).
As principais queixas referidas são hemorragias anormais (fluxo menstrual aumentado, período prolongado e perdas de sangue entre as menstruações), dor pélvica, dor durante o acto sexual, dificuldade em engravidar, alterações urinárias e intestinais.
O exame ginecológico é importante neste contexto e a caracterização definitiva dos miomas é feita com recurso a exames de imagem como a ecografia ginecológica.
Na maioria dos casos apenas é necessário controlar o crescimento do tumor. Noutras situações estão indicados tratamentos hormonais. As opções cirúrgicas são diversificadas e ajustam-se à idade da mulher, ao desejo reprodutivo, à sua opinião após esclarecimento médico, ao tipo de mioma, à sua localização, ao seu tamanho e aos sintomas originados. A extracção somente do mioma pode ser feita por histeroscopia (introdução de instrumentos no interior do útero sob visão directa), por laparoscopia (cirurgia abdominal minimamente invasiva) ou cirurgia clássica. A histerectomia pode ser efectuada por cirurgia convencional, por via vaginal ou por via vaginal laparoscopicamente assistida. Nalgumas doentes estão recomendadas técnicas endovasculares que, deliberadamente, obstruem a artéria que alimenta o mioma.
Caso tenha hemorragias vaginais que considere anormais não hesite em contactar o seu Ginecologista. Caso não apresente qualquer sintoma e, numa ecografia de rotina, seja identificado um mioma, não se preocupe e discuta com o seu médico as opções e o plano de vigilância.
(Imagem: http://www.fwhcla.com/uterine_fibroids_files/image001.gif)

Ecografia do 2.º trimestre


A ecografia do 2.º trimestre é um exame fundamental na vigilância da gravidez. Deve ser realizado entre a 20.ª e a 22.ª semanas por um obstetra experiente. Esta ecografia compreende vários passos: medição do feto, avaliação do seu crescimento, vitalidade e anatomia, observação da placenta (localização e características), análise do volume de líquido amniótico, medição do colo uterino e avaliação do fluxo das artérias uterinas.
No que respeita à examinação morfológica, o obstetra irá observar com detalhe diversas estruturas: sistema nervoso central, face, coração, pulmões, diafragma, estômago, bexiga, coluna vertebral, órgãos genitais, membros inferiores e superiores,… É, possível, caso a grávida assim o pretenda, dizer qual o sexo do bebé. Os órgãos são classificados como “normais”, “incorrectamente visualizados” ou “com anomalia”. Neste último caso é especificada a alteração observada, devendo a grávida ser encaminhada para uma consulta de Obstetrícia para esclarecimento e orientação clínica. Quando certo órgão não é correctamente visualizado, por exemplo, devido a um mau posicionamento do bebé, a ecografia deve ser repetida noutra ocasião. Alguns órgãos, quando normais, não têm tradução ecográfica daí não virem referidos.
Certas alterações anatómicas ou dúvidas em relação à normalidade morfológica podem motivar a realização de outros exames como a ecocardiografia fetal (exame direccionado apenas ao coração e grandes vasos do bebé), a ressonância magnética fetal (permite ver com maior detalhe certas estruturas como o sistema nervoso central) e a amniocentese (verifica a existência de anomalias cromossómicas/genéticas).
Quando for fazer a ecografia do 2.º trimestre leve consigo a(s) ecografia(s) anteriores, o boletim de saúde da grávida e os resultados das análises efectuadas.
(Imagem: http://www.naredemundial.com.br/joici/wp-content/uploads/2008/12/eco_morfo2.jpg)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quanto tempo dura uma gravidez?


A correcta datação de uma gravidez é fundamental para se obter um desfecho materno-fetal favorável. A programação dos exames complementares de diagnóstico e a tomada de decisões clínicas requer o conhecimento do tempo de gestação. Popularmente diz-se que uma gravidez dura 9 meses e, embora isso não esteja longe da verdade científica, é mais acertado afirmar-se que uma gestação dura 280 dias, ou seja, 40 semanas. O início da contagem corresponde ao primeiro dia do último período menstrual e não está, de modo algum, relacionado com o dia da ovulação nem da fecundação. Existem programas informáticos e calendários circulares que auxiliam o cálculo. Há um processo simples de determinar, aproximadamente, o dia em que a grávida completa 40 semanas; trata-se da regra de Naegele que consiste em subtrair 3 ao mês (em certas datas poderá ser mais fácil somar 9) e somar 7 ao dia da última menstruação (exemplo: primeiro dia da última menstruação a 14/05/2009, logo, completará as 40 semanas a 21/02/2010).
A datação com base nos ciclos menstruais pressupõe a sua regularidade e o registo minucioso dos períodos menstruais. Surgiu então a necessidade de utilizar um método com maior precisão: a medição do embrião através de uma ecografia precoce. O seu fundamento reside no facto de os embriões desenvolverem-se a igual ritmo numa fase inicial; a precisão da datação ecográfica esvanece-se à medida que a gravidez avança. Uma vez mais, a idade gestacional fornecida pela ecografia não está relacionada com o dia da fecundação ou da ovulação.
A gravidez, o amadurecimento do bebé e o início do trabalho de parto não são fenómenos matemáticos, daí que se considere que o “termo” da gravidez inicia-se às 37 semanas + 0 dias e prolonga-se até às 42 semanas + 0 dias. Antes desse intervalo de tempo nascem os bebés pré-termo ou prematuros e, após esse período, a gravidez designa-se de prolongada ou pós-termo.
(Imagem: http://www.i-am-pregnant.com/img/pw1.GIF)

DIU


O dispositivo intra-uterino (DIU) é um eficaz método contraceptivo, amplamente difundido em Portugal. Consiste numa estrutura cuja forma varia segundo a marca comercial, que contém uma haste de cobre e cuja duração pode atingir 5 anos. O mecanismo de acção envolve a criação de um ambiente hostil para os espermatozóides e óvulos a nível do útero e das trompas de Falópio. Ao contrário dos métodos hormonais, não impede a ovulação.
A inserção é efectuada num consultório, preferencialmente durante o período menstrual. A mulher posiciona-se na marquesa ginecológica e o médico desinfecta a sua vagina. Seguidamente, coloca uma pinça no colo do útero, introduz um instrumento (histerómetro) para medir o tamanho daquele órgão e, tendo em conta esse valor, insere o DIU de acordo com as especificações da empresa que o produz. No final do procedimento ficam apenas visíveis dois fios, exteriorizados através do colo do útero, que permitem a remoção segura do DIU e não afectam a vida sexual. Todo o processo é um pouco desconfortável, requer uma adequada colaboração por parte da mulher e torna-se mais fácil se já tiver ocorrido um parto vaginal.
Trata-se de um método que não requer uma lembrança diária ou semanal, não é afectado por vómitos ou diarreia, pode ser utilizado em mulheres com contraindicação para métodos hormonais, não interfere com a amamentação, tem uma eficácia logo após a colocação e permite retomar a fertilidade imediatamente após a remoção. Por outro lado, está associado a alguns riscos como a perfuração do útero, deslocação do aparelho e perda de eficácia, doença inflamatória pélvica, aumento da probabilidade de gravidez ectópica caso a mulher engravide, irregularidades menstruais, aumento do fluxo e dor pélvica. O DIU não protege contra as infecções sexualmente transmissíveis.
Antes de optar por um determinado método contraceptivo, discuta com o seu Ginecologista os riscos, benefícios e alternativas.
(Imagem: http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/images/ency/fullsize/17078.jpg)

Diabetes Gestacional: tratamento


Após o diagnóstico de diabetes gestacional (DG) é fundamental que a gravidez passe a ser vigiada por um Obstetra e não apenas nos cuidados primários de saúde. Em primeiro lugar há que avaliar a glicemia capilar, isto é, os níveis de açúcar no sangue obtido através de picada no dedo. É pedido à grávida que avalie e registe os valores em jejum, antes e depois das refeições. Simultaneamente, é indicada uma dieta, a qual deve ser cumprida com rigor: é aconselhável fazer pequenas refeições várias vezes por dia, os doces estão proibidos e não deve misturar hidratos de carbono na mesma refeição (por exemplo: batata e arroz). Peça ao seu médico uma lista completa dos alimentos permitidos e dos que não estão recomendados.
Quando os níveis de glicemia capilar continuam elevados apesar dos cuidados dietéticos, o seu médico irá receitar insulina, uma hormona injectável que ajuda a baixar os níveis de açúcar no sangue. A insulina pode ter dois tipos de actuação: rápida e prolongada no tempo. É indispensável que compreenda correctamente qual o tipo de insulina a administrar, quando, como e em que dose. Pode colocar a sua vida em risco se se injectar de modo incorrecto.
Durante o trabalho de parto, para além da monitorização da frequência cardíaca do bebé e das contracções do útero, é vigiada a glicemia capilar e pode ser necessário adicionar insulina ao soro endovenoso. A equipa médica irá avaliar a progressão da dilatação e da descida da cabeça do bebé, a estimativa de peso e o bem-estar fetal, decidindo se existem condições para um parto por via vaginal ou se está indicada cesariana. Os bebés de mães com DG são mais pesados e precisam de uma vigilância rigorosa nas primeiras horas, incluindo a determinação dos níveis de açúcar no sangue.
Lembre-se que o controlo da DG é extremamente importante para o bebé não entrar em sofrimento e desenvolver-se adequadamente antes e após o nascimento.
(Imagem: http://www.pharmaceutical-technology.com/projects/chartres/images/NOVO-2.jpg)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Anel Vaginal


O anel vaginal é um método contraceptivo. A única marca disponível em Portugal é a Nuvaring®. Trata-se de um anel com 5 cm de diâmetro, transparente, flexível, de textura suave e impregnado com duas hormonas: etinilestradiol e etonogestrel, que são absorvidas pelo organismo, impedem a ovulação e tornam o muco cervical mais espesso.
O anel deve ser introduzido na vagina no 1.º dia da menstruação e removido no 21.º dia do ciclo. Segue-se uma semana de intervalo, durante a qual é previsível que ocorra uma hemorragia. O anel seguinte deve ser colocado no 29.º dia (1.º dia do ciclo seguinte), no mesmo dia de semana em que o 1.º foi inserido. Uma dica prática: assinale num calendário os dias da colocação e remoção.
Quando está bem colocado o anel não é sentido pela mulher, não interfere com a vida quotidiana, nem com a actividade sexual (mesmo usando simultaneamente preservativo), nem com o exame ginecológico. Caso sinta o anel, empurre-o um pouco mais para o interior da vagina. Caso o anel saia, basta passá-lo por água morna ou fria e voltar a introduzi-lo; a sua eficácia não fica diminuída se o intervalo de tempo até à recolocação for inferior a 3 horas. Caso permaneça no exterior mais do esse período, deve consultar o folheto informativo pois as atitudes variam conforme o tempo que esteve no exterior e a semana do ciclo em que se encontra.
Antes de ser prescrito o anel vaginal, o seu Ginecologista irá questioná-la acerca do seu historial clínico e efectuará um exame médico para avaliar se existe alguma contraindicação aos métodos hormonais. Quando lhe for receitado algum medicamento deve informar que é portadora de anel vaginal. Podem ocorrer algumas irregularidades menstruais, dores de cabeça ou tensão mamária durante os primeiros meses. O anel vaginal não protege contra as infecções sexualmente transmissíveis e a mulher retoma a sua fertilidade logo após a interrupção do seu uso.
(Imagem: http://www.planning-familial.org/themes/theme02-contraception/pictos/nuvaring.jpg)

Ecografia do 1.º trimestre



As ecografias realizadas ao longo da gravidez são valiosas e permitem a tomada de decisões em várias circunstâncias. Existem intervalos de tempo considerados períodos chave para o diagnóstico ecográfico. A Direcção Geral de Saúde recomenda que a ecografia do 1.º trimestre seja realizada entre as 11 e as 13 semanas e 6 dias. Mesmo que a grávida já tenha feito uma ecografia anteriormente, deve repeti-la.
Este exame tem vários objectivos e potencialidades. Permite datar a gravidez (determinar o tempo exacto de gestação, uma vez que o cálculo baseado na última menstruação é menos fiável). Avalia se o feto tem boa vitalidade. Possibilita o diagnóstico de uma gravidez de gémeos e, assim sendo, determina o número de placentas e bolsas amnióticas. A maioria das pessoas refere-se, erradamente, à ecografia do 2.º trimestre como a única avaliação morfológica. A ecografia do 1.º trimestre é também um exame morfológico, capaz de observar a anatomia do feto e detectar anomalias no sistema nervoso central, coluna vertebral, membros,... Esta ecografia é uma excelente ferramenta para o rastreio de doenças dos cromossomas como a trissomia 21, através da análise de parâmetros como a translucência da nuca e os ossos do nariz. A medição do colo do útero é importante pois pode levar a que se tomem medidas para evitar um aborto. A análise das artérias uterinas tem interesse para a sinalização dos casos em que há risco de doenças relacionadas com a placenta como a pré-eclâmpsia. Em muitas destas ecografias é possível satisfazer a curiosidade dos pais no que respeita ao sexo da futura criança.
Como se pode constatar são muitas as aplicações da ecografia do 1.º trimestre, sendo fundamental realizá-la no período acima referido. Preferencialmente deve planear a sua gravidez e, logo que engravide, deve recorrer a uma consulta médica de forma a organizar os exames de rotina da vigilância da gestação.
(Imagem: http://www.childrenscentralcal.org/HealthE/PublishingImages/em_2614.jpg; http://www.obgyn.net/US/news_articles/worrall/Nuchtran.jpg)

Síndrome do Ovário Poliquístico


A síndrome do ovário poliquístico (SOP) é uma doença endócrina benigna que afecta 5 a 10% das mulheres e envolve uma disfunção do hipotálamo, hipófise e ovários. O quadro clínico destas doentes caracteriza-se por obesidade, hirsutismo (excesso de pêlos), acne, oligomenorreia (intervalos de tempo superiores a 35 dias entre os períodos menstruais), amenorreia (ausência de menstruação), presença de muitos quistos de pequenas dimensões nos ovários e dificuldade em engravidar.
A colheita da história clínica deve ser cuidadosa e engloba perguntas sobre o problema actual e sobre o historial médico da doente. Segue-se o exame objectivo geral e ginecológico. Perante a suspeita de SOP o seu Ginecologista irá solicitar algumas análises e uma ecografia pélvica.
O tratamento incide sobre diversos aspectos. É importante uma redução do peso e a adopção de estilos de vida saudáveis. Tendo em conta que as manifestações exteriores (acne e hirsutismo) resultam do excesso de androgénios, a administração de medicamentos que os reduzem é uma parte da terapêutica; como 1.ª linha estão indicados alguns tipos de pílula contraceptiva. A ausência de longos períodos sem menstruação, no contexto de SOP, é um sintoma a valorizar pois o risco de proliferação do endométrio (camada que reveste o interior do útero) é grande, podendo originar uma neoplasia. Os medicamentos à base de progesterona e combinações de progesterona e estrogénios são opções com bastante êxito. Por fim, surge a questão da infertilidade: é fundamental uma avaliação completa do casal para averiguar se existem outros factores envolvidos; quando o problema é apenas a SOP, a administração controlada de indutores da ovulação é suficiente na maioria das situações.
Caso tenha ou suspeite ter SOP deve ser acompanhada numa consulta de Ginecologia para observação médica, orientação terapêutica e prevenção de complicações.
(Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyeyW-8OoMyQBhxAGT32mxxbN_aUgIHHvsEhtAWtQBKPfFjsszQgmgFKty0BTLdmSrUSlkufUH50-LtVr4DvUzRojg2e-rlZIdg0rkPKrNIMc0ySRKthCVL0TjjdOoQ2wBSh1fW_tiQsNB/s400/pcos3.JPG)

domingo, 29 de novembro de 2009

Estreptococo B


O Estreptococo do grupo B é uma bactéria que está presente na vagina ou no recto de uma razoável proporção de mulheres sem causar qualquer doença. No entanto, a transmissão ao recém-nascido durante o parto pode causar meningite, pneumonia ou sépsis (infecção generalizada). Assim, a boa prática médica recomenda a sua pesquisa no exsudado vaginal e ano-rectal entre as 35 e 37 semanas de gestação. Numa gravidez normal não interessa efectuar essa análise antes das 35 semanas.
Se o resultado for positivo apenas faz sentido medicar a grávida durante o trabalho de parto: são administrados antibióticos por via endovenosa para proteger o bebé. Por vezes o trabalho de parto é demasiado rápido e não permite a administração das doses de antibiótico recomendadas. Nestes casos os recém-nascidos são cuidadosamente avaliados pelos pediatras que podem optar por colher análises aos bebés. Se houver suspeita de infecção o bebé será de imediato medicado. Nos principais hospitais é muito pequena a taxa de mortalidade e de sequelas graves devido ao Estreptococo do grupo B adquirido durante o parto.
Nalgumas situações não vale a pena fazer a colheita pois existe já uma indicação para se administrar antibiótico: quando a grávida teve uma infecção urinária provocada pelo Estreptococo do grupo B ou quando já teve um filho com uma doença causada por aquela bactéria.
Se a grávida não tiver efectuado a colheita para pesquisa de Estreptococo ou se o resultado ainda não estiver disponível só se administra antibiótico quando o bebé tem menos de 37 semanas (prematuro), se ocorrer febre durante o trabalho de parto ou se a bolsa de águas estiver rota há mais de 12 horas.
Quando o resultado da pesquisa de Estreptococo do grupo B é positivo e a grávida é submetida a uma cesariana programada (antes do início do trabalho de parto e sem ter havido rotura da bolsa amniótica) não há justificação para administrar antibiótico.

Clamídia


A clamídia, mais correctamente designada de Chlamydia trachomatis, é uma bactéria que provoca uma infecção sexualmente transmissível. Trata-se de uma doença que pode ter consequências negativas para a saúde da mulher e para o seu futuro reprodutivo. As adolescentes e jovens adultas com vida sexual activa constituem um grupo de risco.
Os sintomas são muito ténues e resumem-se a um corrimento vaginal anormal e ardor durante a micção. O diagnóstico assenta na colheita de urina ou de um exsudado do colo do útero, da vagina e/ou da uretra. Existem também testes sanguíneos para detectar a presença de anticorpos contra a bactéria. O tratamento é feito através da toma de antibióticos por via oral; naturalmente, ambos os parceiros devem ser medicados. É fundamental que ambos cumpram a prescrição pois só assim se elimina a bactéria.
Caso a doença não seja detectada numa fase inicial a sua progressão conduz à doença inflamatória pélvica. Trata-se de um processo infeccioso que afecta a cavidade pélvica e os órgãos nela contidos, nomeadamente, o útero, as trompas de Falópio e os ovários. Podem formar-se colecções de pus (abcessos) e ocorre distorção anatómica. Nestes casos as queixas são dor abdominal intensa, dor lombar, dor durante as relações sexuais, febre, náuseas e vómitos, perdas de sangue entre as menstruações,... Esta forma mais grave de clamídia pode afectar a fertilidade da mulher e pode motivar internamento hospitalar, administração de antibióticos por via intravenosa e cirurgia.
A clamídia deve ser pesquisada e tratada na mulher grávida pois acarreta risco de parto antes do tempo e infecção nos olhos e aparelho respiratório do bebé.
A melhor forma de prevenção consiste na prática de sexo seguro. Lembre-se que a clamídia também é transmitida através do sexo oral e anal, atingindo, respectivamente, a garganta e o recto. É igualmente importante o seguimento regular numa consulta de Ginecologia e o recurso a cuidados de saúde caso surjam alguns dos sintomas descritos.
(Imagem: http://www.medical-look.com/diseases_images/chlamydia.jpg)